
A Corrida
Ele correu. Correu o mais que podia. Correu até suas pernas doerem incrivelmente. Não sabia qual a distância que já havia percorrido, mas sabia que não era suficiente. Quando parou, seu peito ardia e o ar entrava com dificuldade. Puxava-o aos goles, numa tentativa de se equilibrar. Olhou para trás e a estrada vazia se estendia até perder de vista. À frente, o mesmo cenário espelhado. Origem e destino pareciam iguais naquela imensidão deserta. Contrariado, olhou para cima. O céu continuava sobre ele, uma testemunha muda e desinteressada daquele seu esforço. Ele queria aquele silêncio que havia lá em cima, pois aqui embaixo reinava o barulho. E o barulho vinha de dentro da sua cabeça. Correra, mas o barulho continuava. O barulho, as idéias, as pessoas, os erros…
Num gesto de impotência, ergueu a mão para tocar o céu. Nao conseguiu.
Voltou a correr e sumiu no horizonte.
(Foto “The Drowning Man“, de FatPete, extraída do Flickr)
